Não ia mais me manifestar, mas sou instado a faze-lo em virtude de alguns comentários provocativos, que vou responder para colocar uma pá de cal em cima do assunto, que se encerra definitivamente aqui.
Esses comentários procuram situar a decisão de esvaziamento do meu blog por mim, reduzindo-o para apenas duas postagens semanais, restritas a temas técnicos ou de lazer, como sendo resultado de minha frustração com a eleição da ANABB e chamam a atenção que daria muita satisfação aos inimigos.
E´ verdade, sei que " eles " vão ficar satisfeitos com a minha saida. A melhor parte da manifestação irada do Sasseron na AFABB RS foi reconhecer que acompanha o meu blog e fica contrariado com as colocações a respeito de sua desastrada atuação na PREVI. Reconheceu, portanto, ser leitor assíduo das postagens, conforme eu já havia afirmado. Vai adorar a minha retirada.
O resultado da eleição da ANABB não me frustrou, pois previ o número de votos que ainda está sendo apurado milimetricamente.Tenho testemunhas. Fiquei decepcionado é com a pouca mobilização, salvo raras e honrosas exceções. Além do empenho mínimo, ainda houveram os que se omitiram ou criaram restrições. Cadê as cartas de apoio ou algum comitê pela internet ? Pouca coisa mais do que a inclusão do meu nome na chapa Semeando pelo Futuro. Sei bem quem trabalhou por mim e onde. Sou profundamente grato e reconhecido a eles e algumas poucas associações (tres). Mas a falta de mobilização da maioria e a omissão de alguns me desiludiu barbaramente.
Senti-me isolado nos momentos mais relevantes da trajetória do blog, como ainda há pouco no incidente com o diretor Sasseron na AFABB-RS. O Mozart Braga divulgou alguns comentários elogiosos e o Edison de Bem escreveu a respeito uma carta bastante expressiva, que vou enquadrar e colocar na parede. Entretanto, a repercussão do episódio e da carta do Edison foram insignificantes.Eu sou sentimental e ligo para essas coisas. Não me senti confortado nem apoiado como deveria. E olhem que foi um confronto que poderia virar em baixaria, com sérias consequencias, se eu perco o controle também.
Na realidade, com o intuito apenas de mais uma contribuição minha para a compreensão dos problemas que nos afligem, pensionistas e aposentados do BB, em debate na rede, quero deixar registrado que o principal motivo para meu desalento é a desunião que impera naqueles que se dizem contrariados com os rumos do BB, da Previ e da Cassi. As palavras infelizmente não são acompanhadas de atos concretos no sentido de agregar.
Quando iniciei o blog achei que estava ingressando num movimento espontâneo de resistência que desejava mudanças na Previ, que estava com superávit gigantesco, mas só pensava em beneficiar os dirigentes, os sindicalistas ligados ao Governo, os altos executivos do BB e o próprio BB, deixando de lado os participantes e os assistidos do fundo de pensão, seus legítimos donos. Entrei de corpo e alma nesse movimento abstrato lutando a favor dos menos afortunados e por isso, de cara, fui apelidado de defensor da ralé.

O que eu não sabia nem esperava era que alguns personagens desse movimento não miravam só para a frente, nos dirigentes do nosso fundo de pensão e do BB e nos grupos que os apoiam, que deveria ser o foco principal, mas atirava para tudo que é lado, atingindo inimigos e aliados. A traição para mim é imperdoável. O episódio de Julio Cesar com Brutus na antiga Roma é um dos que mais deploro na história. Ser atacado por trás ou pelo flanco é um ato covarde e impiedoso. Agredir e afagar me causam repulsa.
Esses personagens em vez de unir em torno de um único objetivo mais se preocupam em depreciar as iniciativas dos companheiros mais atuantes e cortar os espaços eventualmente ocupados. Em vez de construir alicerces perdem tempo precioso em alimentar brigas internas, criar conflitos, e assim, com esses vícios, restrições, intimidações e exclusões por critérios inverossímeis, que voltam a ser acenados neste momento em que se pretende investir na eleição para a PREVI, esse movimento de resistência não agregará reforços importantes nem conquistará posições, mas apenas colherá novas desilusões e novos desfalques, como, aliás, já está ocorrendo.
Basta lembrar a péssima experiencia da eleição de 2006 onde uma importante chapa quiz concorrer apenas com aposentados, desprezando a participação do pessoal da ativa. Tinha chances de vencer, investiu pesado, mas por causa desse erro estratégico foi derrotada e permitiu a entrada do Sasseron na Previ.
Algumas das pessoas envolvidas nesse movimento autofágico, fundamentalista e excludente só querem tirar proveito pessoal, fazer uso dos outros, mas não querem conceder nada em troca, nem sequer um elogio desinteressado de vez em quando e é raro o pedido de desculpas. E sem esse condão fica muito difícil fazer alguma coisa nesta fase da nossa existência onde não estamos mais semeando para o futuro, mas colhendo louros do que plantamos no passado, com a obrigação de vivermos intensamente o presente, que passa muito depressa. Temos que fazer agora, temos que vencer neste instante, depois será tarde demais.
A grosseria do Sasseron na AFABB - RS, desonrando a hospitalidade que lhe proporcionamos, juntamente com a candidata conselheira Mirian Focchi, que ali estava de intrusa, indevidamente, sem convite, quase teve o mérito de revogar a minha decisão e provocar a continuidade da minha atuação na linha de frente do combate e já me dispunha a desencaixotar a artilharia pesada que disponho em reserva.
Entretanto, as decepções sofridas, acima relatadas, foram mais fortes do que a provocação do Sasseron. As reflexões que fiz no Uruguai conduziram pela manutenção da decisão anteriormente já tomada e divulgada. Pesou bastante na balança a falta de solidariedade e de mobilização. Como já escrevi, não tenho vocação para mártir, nem para eremita que gosta de isolamento.
Decidi no Uruguai - perdoem-me os prezados colegas inconformados, mais de 170 gentis comentários no blog do dia 5, um recorde, mas ainda insuficiente, procurando me fazer mudar de opinião - a ficar de expectador e de mero eleitor. Vou colaborar apenas no Jurídico. Não tenho mais idade nem paciência para continuar a servir de instrumento para outros nem para colher novas decepções. Minha saúde, prioridade absoluta, certamente não aguentaria.
Saio da pugna com a consciencia tranquila do dever cumprido. A partir de agora, imitando famoso personagem de nossa história, passarei a ser o Medeiros Paz e Amor. Ingressei em nova jornada, onde exigi, no contrato, maior compartilhamento e muitos paparicos. Também é preciso ter coragem para ser feliz.
Agradeço sinceramente a todos que comprenderem as minhas razões e manifesto, mais uma vez, meu carinho e minha amizade pelos seguidores e pelos amigos que conquistei no blog. A esses, obrigado pelo apoio, pelos votos, pela confiança e pelo afeto. Alguns momentos do blog - e a vida se faz de pequenos momentos - ficarão para sempre guardados agradavelmente em minha memória.
O blog continuará na forma nova já anunciada - podem até dizer que a meia-boca - e disponível ao acesso dos interessados nos assuntos de lazer e jurídico que serão abordados. Sempre terei satisfação em recebe-los, sempre serão bem vindos.