Ontem foi o dia do Advogado. Eu estava no Rio de Janeiro participando do Décimo Encontro de Advogados das Entidades Fechadas de Previdência Complementar, promovido pela ABRAPP e patrocinado por dez escritórios de advocacia que prestam serviços aos fundos de pensão, entre os quais o Bothomé, responsável pela cobrança das devoluções das quantias referentes à cesta alimentação.
Eu sempre comemoro a data , 11 de agosto, , desde os tempos de Faculdade, quando os bares e restaurantes respeitavam o dia do PINDURA. Éramos poucos na época. Duas faculdades apenas em Porto Alegre. Duas no interior do Estado. Hoje são centenas.
Me formei em 1961. Há 54 anos. Outro dia, no Fôro, um serventuário olhou meu número na carteira da OAB e se assustou: 2.806. - Doutor, o senhor é do tempo do EPA ! E, na verdade, sou. Sou do tempo da máquina de escrever Remington, da calculadora FACIT, do mimeógrafo a alcool, do telefone de manivela, do polígrafo e da sebenta, onde eram resumidas as aulas magistrais proferidas por professores como o senador Armando Câmara, meu paraninfo, Brochado da Rocha, ex primeiro ministro do Jango, Leitão de Abreu, ministro da Casa Civil do Medici, Rui Cirne Lima, Elói da Rocha, Elpidio Paes, Salgado Martins, Mem de Sá, e tantos outros luminares do Direito. Tempo do Epa, sim, mas que tempo bom aquele. Sonhos, causas, ideais, projetos. E, sobretudo, um Banco do Brasil saudável e confiável, que nos acenava com uma aposentadoria justa e uma permanente assistência à saúde, exigindo em troca apenas muita dedicação e muito trabalho. Mas o tempo passa,, o tempo voa. E aqui estamos. No meio da gurizada, predominantemente feminina.
Na minha modesta opinião o décimo Encontro de Advogados da Abrapp frustrou as expectativas de todos os 316 inscritos logo na abertura do evento, no dia 10, pela manhã, quando foi anunciado que o Ministro do STJ, Ricardo Villas Boas Cueva, não iria comparecer, por motivo de força maior, ocorrrido na última hora. Ele ia falar sobre a inaplicabilidade do CDC nas entidades fechadas de previdência complementar. O auditório estava cheio e de imediato começou, pouco a pouco, a esvaziar. O Ministro foi substituído pelo advogado Adacyr Reis, que fez um apanhado sobre os temas mais relevantes no âmbito do Judiciário envolvendo os fundos de pensão. O dr. Adacyr é ex superintendente da finada SPC e foi o responsável por estruturar a CEJUPREV da ABRAPP, dando consultoria aos principais fundos de pensão e mantendo atuante escritório de advocacia, um dos patrocinadores do evento. Não foi feliz em sua palestra, agarrado que foi em última hora, e acho que pela primeira vez ganhou poucos aplausos do auditório, pois é excelente palestrante.
Eu tive outra frustração. Contava com o Encontro para me encontrar com o dr. José Luiz Guimarães Junior, chefe do Jurídico da Previ, ou outros advogados da Previ, a fim de trocar idéias e debater alguns assuntos pertinentes ao nosso fundo. Mas tão logo encerrou o primeiro painel, o dr. Guimarães teve que se ausentar do Encontro, não falou comigo, e durante todo o restante do evento não me deparei nem fui procurado por nenhum advogado ou advogada da Previ. Achei estranho e fiquei chateado. Terei alguma doença contagiosa ?
Em compensação vários outros advogados me procuraram com a pergunta chavão: Você é o dr. Medeiros, o do blog ? Também me pediram para autografar o meu livro sobre o conselho fiscal, no olho do furacão, que, apesar de antigo e quase com o estoque acabado, ainda continua fazendo sucesso no stand da ABRAPP.
No último dia tive uma grata satisfação. Mantive contato com um dos palestrantes do último painel, que tratou da responsabilização civil, criminal e administrativa dos gestores dos fundos de pensão, tema atual e palpitante. Trata-se do delegado da Polícia Federal, responsável pela Delegacia de Repressão a Crimes Financeiros e Desvios de Recursos Públicos (DELE|FIN), com sede em São Paulo., dr. Alexandre Manoel Gonçalves, que me convidou para visitá-lo e ampliar a nossa conversa. Por ocasião de sua palestra, o dr. Alexandre foi indagado por uma advogada sobre sua opinião a respeito do crime de gestão temerária nos fundos de pensão. O clima do Encontro ficou um pouco tenso. Eu achei a indagação super oportuna e a advogada foi cumprimentada por outras colegas. O dr. Alexandre me deu seu cartão de visitas. Acho que só esse contato já valeu meu esforço em comparecer ao evento. No mínimo, me senti mais protegido e mais tranquilo.
Amanhã tem mais.Esta semana é importante. No domingo eu vou no protesto, com uma camiseta onde estará escrito NÃO PASSARÃO. E vocês ?









