Assumi no Banco do Brasil, em Uruguaiana, no dia 10 de abril de 1957, como auxiliar de escriturário, após passar em concorrido concurso público. Portanto, no dia 10 de abril do corrente ano de 2017, estarei fazendo sessenta anos de minha admissão.
Jamais poderia imaginar naquele dia, eu nos meus dezoito anos de idade, cheio de sonhos e de esperanças, que, decorridos sessenta anos, continuaria servindo ativamente a instituição Banco do Brasil na condição de conselheiro deliberativo de seu fundo de pensão, a poderosa Previ.
Quando conto nos Congressos e reuniões que, 60 anos depois, continuo em atividade servindo na Previ em defesa dos direitos e interesses dos participantes do fundo, quase ninguém acredita. Os estrangeiros louvam esse fato como uma prova da perenidade da instituição, ter em seu quadro diretivo quem participou e presenciou sessenta anos da vida do banco e seu conglomerado, pela experiência e pelo conhecimento que possui e pela contribuição que pode trazer. É raro, quase inédito, dizem.
Quando ficam sabendo de que eu tenho trinta anos de serviço efetivo e vou fazer em novembro deste ano trinta anos de aposentado, o espanto e a admiração aumentam sobremaneira.
Os cheques andam em desuso ultimamente. Mas quando eu uso um cheque meu e lá está estampada a data do início de minha conta corrente, 1957, a pessoa que recebe o cheque não deixa de largar um OH de espanto, Oh, meu Deus ! Não é uma surpresa pela minha velhice, mas uma admiração pelo tempo de fidelidade, que algumas empresas valorizam ainda e que no BB de antigamente tinha muito valor.
Me perguntam se vou ser lembrado ou homenageado pela data. Se vou ser entrevistado ou coisa que valha.Ou se vou festejar os sessenta anos de meu ingresso no BB. Se estou feliz ou arrependido. Não sei. Realmente não sei. As coisas hoje andam confusas. O BB mudou, mudou muito. A Cassi e a Previ também mudaram.
O meu destino é ditado por circunstâncias sentimentais e por acontecimentos eventuais. Quando penso em parar de vez, me acomodar, me retirar do batente, algo me provoca, mexe com meus brios e me faz desistir de pendurar as chuteiras. Volto à luta. A favor do funcionalismo, da alma da instituição.
Pensei agora em chamar o Glicério Midon, que está com 88 anos, viúvo, mora em Porto Alegre, para almoçar comigo no dia 10 de abril.. Foi ele que me recebeu na agência de Uruguaiana em meu primeiro dia e assinou minha carteira de trabalho. Mas tenho receio da emoção. A última vez que nos encontramos, no ano passado, o Midon chorou relembrando os velhos tempos.
Nós éramos apaixonados pelo BB. Sessenta anos passaram. Parece que foi ontem que eu ingressei. O tempo voa. Relembro e homenageio aqui todos os colegas que já se foram. Aldo Ibaños, Walter Ennes, Setimio Mandarino, Emilio Jacques, Gabriel Bermudez, Wanderley Ciocca, Edalmiro Carvalho e tantos outros.
Sessenta anos de BB ! Ufa ! Haja Saúde ! Avante ! Não vou mais parar. Tenho missão a cumprir . Não gosto quando pisam no meu poncho. Tchê, barbaridade ! Volto ao combate pelos participantes, pelos colegas, pelas pensionistas queridas, pelo funcionalismo do BB. Sem medo de ser feliz. Sempre com a alegria de ser um eterno aprendiz. Vamos que vamos !